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Colégio Horizontes
Família e escola

Quanto ajudar na lição sem fazer por ele: autonomia no Ensino Fundamental II

Existe uma cena comum em muitas casas com filhos de 11, 12 ou 13 anos. A família senta ao lado para ajudar na lição, como fazia nos primeiros anos do Ensino Fundamental, e a ajuda vira tensão. O filho reclama que não é assim que o professor explicou. A família se irrita porque ele não presta atenção. A lição termina feita, mas ninguém sai satisfeito.

Não é falta de boa vontade de nenhum dos lados. É uma mudança de fase, e a pesquisa sobre o assunto ajuda a entender o que mudou.

O que dizem os estudos

Em 2008, três pesquisadores ligados à Universidade Duke publicaram na Review of Educational Research uma síntese de estudos sobre a participação dos pais na lição de casa. Ela reúne duas meta-análises: uma com 14 estudos que treinaram pais para ajudar na lição e outra com 22 amostras, de 20 estudos, que relacionaram a participação dos pais ao desempenho dos filhos.

Os resultados variaram conforme a idade. A participação dos pais esteve associada a melhor desempenho no Ensino Fundamental I e no Ensino Médio, mas a uma associação negativa na faixa intermediária, que corresponde ao Ensino Fundamental II. Entre as formas de participação, o estabelecimento de regras, como horário e lugar para estudar, mostrou associação mais forte com o desempenho do que outras estratégias.

Em 2009, Nancy Hill, da Universidade Harvard, e Diana Tyson, da Universidade Duke, publicaram na revista Developmental Psychology uma meta-análise dedicada justamente à faixa do Ensino Fundamental II. Reuniram 50 estudos, com mais de 50 mil alunos, cobrindo 26 anos de pesquisa. O tipo de participação mais associado ao desempenho nessa idade não foi a ajuda direta na lição. Foi o que as autoras chamam de socialização acadêmica: mostrar ao filho o valor dos estudos, ligar o que ele aprende hoje aos objetivos que tem para o futuro e conversar sobre estratégias de aprendizagem.

Sobre a ajuda direta na lição, os resultados foram mistos. Alguns alunos sentiram que a ajuda interferia na sua independência ou aumentava a pressão. Outros acharam a explicação dos pais confusa, porque não batia com a do professor. Outros, ainda, se sentiram ajudados. As autoras observam também que quem mais recebe ajuda costuma ser quem já está com dificuldade, o que ajuda a explicar a associação fraca com o desempenho.

O que muda no Ensino Fundamental II

A virada tem explicação. No 6º ano, o aluno passa a ter um professor para cada disciplina, mais conteúdo e mais prazos. Ao mesmo tempo, entra na adolescência e começa a querer decidir mais sobre a própria vida. A ajuda que antes era recebida como cuidado passa a ser sentida, às vezes, como controle.

Isso não significa que a família deva sair de cena. Significa que o lugar dela muda: da cadeira ao lado para a conversa à mesa do jantar.

Na prática, o que ajuda

Combinar a estrutura, não fazer a tarefa. Horário fixo, lugar sem celular por perto, agenda organizada. É o tipo de regra que a síntese de 2008 associou ao melhor desempenho, e é algo que a família pode garantir sem entrar no conteúdo.

Perguntar como ele vai fazer, e não fazer por ele. "Qual é a primeira coisa que você vai fazer?", "Onde você pode procurar isso?", "O que o professor disse sobre esse tipo de exercício?". A pergunta devolve a responsabilidade ao aluno e mostra que você confia que ele dá conta.

Conversar sobre o que ele está aprendendo, e para quê. Qual matéria está mais interessante? O que ele quer fazer daqui a alguns anos? Que relação tem uma coisa com a outra? É exatamente o tipo de conversa que a pesquisa de 2009 associou ao desempenho nessa idade.

Deixar o erro chegar ao professor. Lição corrigida em casa até ficar perfeita esconde do professor a informação de que ele mais precisa: o que o aluno ainda não entendeu. Uma lição com erros, feita pelo próprio aluno, é mais útil para a escola do que uma lição impecável feita a quatro mãos.

Procurar a escola quando a dificuldade se repete. Se o filho trava sempre no mesmo tipo de tarefa, se a lição começou a gerar brigas toda noite, ou se ele passou a esconder o que tem para fazer, é hora de falar com a coordenação ou com a orientação educacional. A dificuldade que se repete não se resolve com mais horas na mesa da cozinha.

Autonomia não é abandono

A palavra autonomia às vezes é entendida como "deixar por conta dele". Não é isso. Autonomia se constrói aos poucos, com o aluno assumindo mais responsabilidade e os adultos continuando por perto, primeiro mais, depois menos. O papel da família no Ensino Fundamental II é sustentar esse caminho: garantir a estrutura, conversar sobre o sentido dos estudos e acompanhar sem assumir a tarefa.

O papel da escola é complementar. Professores que explicam a forma de estudar de cada disciplina, uma orientação educacional que acompanha a organização dos alunos e um canal aberto com a família tornam a transição muito mais tranquila para todo mundo.

A ajuda que não aparece

No Ensino Fundamental II, a ajuda mais eficaz da família tende a ser menos visível. Menos tempo resolvendo exercícios ao lado, mais tempo conversando sobre por que estudar, como estudar e para onde ele quer ir. Menos correção em casa, mais confiança de que o erro também ensina.

Fontes

  • Patall, E. A.; Cooper, H.; Robinson, J. C. Parent Involvement in Homework: A Research Synthesis. Review of Educational Research, v. 78, n. 4, p. 1039–1101, 2008. https://scholars.duke.edu/publication/766357
  • Hill, N. E.; Tyson, D. F. Parental involvement in middle school: A meta-analytic assessment of the strategies that promote achievement. Developmental Psychology, v. 45, n. 3, 2009. Resumo de divulgação: https://www.sciencedaily.com/releases/2009/05/090519134711.htm

Este texto foi escrito pela equipe do Colégio Horizontes, escola do Grupo A Educacional que atende do 1º ano do Ensino Fundamental I à 3ª série do Ensino Médio. Se quiser ver de perto como isso funciona na prática, agende uma visita.

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Equipe Colégio Horizontes

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