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Estudantes no Colégio Horizontes
Escolher a escola

Escola em São Paulo: oito perguntas para saber se seu filho vai aprender a se expressar

Quem procura escola em São Paulo ouve, em quase toda visita, alguma variação da mesma frase: "aqui o aluno desenvolve senso crítico, autonomia e comunicação". A frase pode ser verdadeira. O problema é que ela não ajuda a escolher, porque qualquer escola pode dizê-la.

A capacidade de se expressar não aparece no prédio, na fachada nem no material de divulgação. Ela aparece no horário da semana, na forma como o professor faz perguntas e no que acontece quando um aluno erra diante da turma. Por isso vale chegar à visita com perguntas que obrigam a escola a descer da frase para a rotina.

A Base Nacional Comum Curricular, que orienta o currículo de todas as escolas do país, dedica uma das suas dez competências gerais à comunicação: utilizar diferentes linguagens, verbal, corporal, visual, sonora e digital, para se expressar e partilhar informações, experiências e ideias. Ou seja, toda escola deveria trabalhar isso. Cabe à família perguntar como, quando e com que frequência.

1. Em que momento da semana meu filho fala para um grupo?

Peça o horário, não a intenção. Existe algum componente fixo em que o aluno se apresenta, lê em voz alta, encena, defende uma ideia ou explica um trabalho para os colegas? Uma vez por semana, uma vez por mês ou só na feira de fim de ano? Prática eventual forma pouco. Prática regular, com retorno do professor, forma muito mais.

2. Quem ensina a falar, e quem corrige?

Comunicar bem se aprende, e quem aprende precisa de alguém que mostre o caminho. Pergunte se há professor responsável por esse trabalho, como ele dá retorno ao aluno e se o retorno é sobre o conteúdo da fala, sobre a forma ou sobre os dois. "Ele foi muito bem" não é retorno.

3. O que acontece com o aluno tímido?

A resposta mais reveladora da visita costuma vir aqui. Uma boa escola não empurra o aluno inseguro para o palco no primeiro mês nem o deixa escondido no fundo da sala por três anos. Ela gradua: primeiro falar em dupla, depois em pequeno grupo, depois para a turma, com preparação antes e conversa depois. Pergunte como isso é feito na prática e quem acompanha.

4. Os alunos discutem nas aulas de conteúdo, ou só respondem?

A comunicação não mora só no teatro ou na aula de redação. Mora também na aula de Ciências em que o professor pede para o aluno explicar por que acha que a resposta está certa, e na aula de História em que dois colegas defendem leituras diferentes do mesmo fato. Pergunte se os professores pedem justificativa, comparação e argumento, ou se a aula é basicamente pergunta curta e resposta curta.

5. Ler e escrever entram no mesmo pacote?

Quem não tem repertório não tem o que dizer. Pergunte como a escola trabalha leitura e escrita em cada etapa, que tipo de texto os alunos produzem e quem corrige. Uma criança que lê e escreve com frequência fala com mais clareza, porque organizou o pensamento antes de abrir a boca.

6. Como a escola trata o conflito entre alunos?

Parece outro assunto, e não é. Saber discordar sem agredir, ouvir sem interromper e reconhecer quando errou são habilidades de comunicação. A Lei 13.185, de 2015, obriga as escolas a manter ações de prevenção e combate ao bullying, e desde 2024 a intimidação sistemática também é crime previsto no Código Penal. Pergunte se existe protocolo escrito, quem conduz a conversa entre os envolvidos e como a família é chamada.

7. O que a escola faz com o celular?

A Lei 15.100, de 2025, proíbe o uso do celular pelos alunos durante a aula, o recreio e os intervalos em todas as etapas da educação básica, com exceção de usos pedagógicos orientados pelo professor e de situações de acessibilidade, inclusão, saúde e emergência. Toda escola precisa cumprir a lei. O que muda de uma para outra é como ela organiza isso no dia a dia: onde o aparelho fica, quem confere e o que acontece no intervalo. É ali que os alunos conversam, e conversa também é prática de comunicação.

8. Como vou saber se meu filho está avançando?

Expressão é difícil de medir, e por isso mesmo vale perguntar. A escola registra a evolução do aluno nas apresentações? Conversa com a família sobre isso nas reuniões, ou só sobre nota? Há algum momento ao longo dos anos em que o aluno apresenta um trabalho mais longo, com pesquisa, para uma banca ou para a comunidade? É nesse tipo de marco que a família consegue ver o caminho percorrido.

O que observar além das respostas

A visita também fala sem que ninguém diga nada. Repare se os alunos olham para quem está falando, se levantam a mão para perguntar, se os adultos da escola esperam a criança terminar a frase. Repare em como a equipe responde quando você discorda de alguma coisa. Uma escola que ensina a argumentar costuma aceitar bem uma boa pergunta.

E desconfie de resposta que só traz evento. Festival, feira e formatura são importantes, mas acontecem poucas vezes no ano. O que forma um aluno que sabe se expressar é a prática regular, repetida durante anos.

Uma conta simples

Do 1º ano à 3ª série do Ensino Médio são doze anos letivos. Uma prática semanal de expressão, com retorno do professor, soma algumas centenas de oportunidades de falar diante de outras pessoas ao longo da escolaridade. Uma prática concentrada em eventos soma algumas dezenas. A diferença entre as duas não aparece no primeiro mês. Aparece na entrevista de estágio, na apresentação do trabalho da faculdade e na reunião em que o seu filho, já adulto, vai precisar dizer o que pensa.

Leve estas oito perguntas a todas as escolas que visitar, inclusive a nossa. A resposta que a escola dá a elas diz mais sobre a formação do seu filho do que qualquer frase de folheto.

Fontes

  • Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular, competência geral 4 (Comunicação). Resumo em Nova Escola: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/8/competencia-4-comunicacao
  • Brasil. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13185.htm
  • Brasil. Lei nº 14.811, de 12 de janeiro de 2024. Inclui a intimidação sistemática no Código Penal. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14811.htm
  • Brasil. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025. Dispõe sobre a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos de educação básica. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/Lei/L15100.htm

Este texto foi escrito pela equipe do Colégio Horizontes, escola do Grupo A Educacional que atende do 1º ano do Ensino Fundamental I à 3ª série do Ensino Médio. Se quiser ver de perto como isso funciona na prática, agende uma visita.

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Equipe Colégio Horizontes

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